Artigos e Entrevistas

Zilma de Moraes Ramos de Oliveira

Zilma de Moraes Ramos de Oliveira

Para a pedagoga, jogar e brincar são recursos essenciais para o desenvolvimento da imaginação, memória e percepção da criança. Doutora em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo, Zilma de Moraes, atualmente, é professora associada da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: creche, interação criança-criança e sociointeracionismo

Pré-Texto: Qual é o valor do jogo e da brincadeira para o desenvolvimento da criança no contexto escolar?
Zilma de Moraes: Jogar e brincar são recursos para a criança desenvolver uma série de aspectos em sua constituição pessoal, dentre eles, a imaginação, memória e percepção, e o sentido de si.
Pré-Texto: Muito se fala a respeito do desenvolvimento humano e das ferramentas da Psicologia em relação a ele: os nossos professores têm a dimensão da importância do encontro entre esses dois campos do saber?
Zilma: Penso que a maioria deles tem. O que é preciso discutir é que visão de desenvolvimento eles se apropriaram e como a usam como recurso para orientar sua prática pedagógica.
Pré-Texto: Como se aplica o conceito de “rede significações" dentro desse contexto? Zllma: A perspectiva teórico-metodológica da Rede de Significações (RedSig) é baseada em visão sócio-histórica que pressupõe que o desenvolvimento ocorre a partir de interações que o indivíduo estabelece ao longo de sua vida com parceiros diversos em práticas sociais concretas. Nestas, os parceiros de interação constituem-se reciprocamente enquanto sujeitos, no processo de negociar significados de eventos, coisas, pessoas, lugares, sentimentos
Pré-Texto: Qual é a sua experiência teórica e prática em relação à inclusão de crianças em creches?
Zilma: Orientei alguns trabalhos de pesquisa na área, fui relatora do Parecer 12/99 do Conselho Estadual de Educação de São Paulo que fixou normas gerais para a Educação Especial no sistema de ensino do Estado de São Paulo.
Pré-Texto: O governo federal tem liberado auxílios e programas de valorização da Educação Infantil?
Zilma: São muito insuficientes.
Pré-Texto: Quais são os mais recorrentes problemas nas creches brasileiras? Há caminhos para minimizá-Ios?
Zilma: Um problema fundamental é o da formação dos educadores como professores dentro de uma nova perspectiva de Educação em geral e de Educação Infantil em particular.
Pré-Texto: O que a senhora diria para as educadoras de creche que trabalham no limite de suas possibilidades físicas e psíquicas?
Zilma: Diria que seria importante reavaliar suas condições de trabalho administrativamente (carga horária, número de crianças por adulto, condições do espaço físico, etc.) e pedagogicamente (existência de uma programação discutida e apropriada pelos educadores, a presença de um serviço de coordenação pedagógica como recurso para o professor aprimorar sua prática, uma boa proposta de relação com as famílias).
Pré-Texto: Dentro das muitas rotas de aprendizagem, conte-nos uma experiência escolar que a marcou.
Zilma: Enquanto aluna, muitas foram as experiências que me marcaram. O mesmo ocorreu como professora e pesquisadora. De toda forma, foram experiências que me fizeram atribuir novos significados ao ambiente e para mim mesma.
Pré-Texto: Existe um currículo específico para os professores de pré-esco/a? A senhora julga interessante essa especificidade? O que constaria de um currículo completo para essa finalidade?
Zilma: Há sim aspectos mais específicos e aspectos mais gerais, estes ligados a uma concepção unificadora de educação. Definir um currículo aqui seria algo muito superficial.
Pré-Texto: Como definir a criança que chega cada vez mais precocemente à creche e à escola?
Zilma: Como criança, antes de tudo, e como alguém curioso, buscando aconchego e apoio para significar o mundo e a si mesma.